quinta-feira, 28 de julho de 2011

Infestação de pombos em escola de Salvador

http://www.youtube.com/watch?v=MPWhN



Vejam esta imagem "Principais Pragas Urbanas"

Pombo-comum

O pombo-comum, também conhecido como pombo-doméstico ou pombo-das-rochas (Columba livia), é uma ave columbiforme bastante frequente em áreas urbanas.
A plumagem é normalmente em tons de cinzento, mais claro nas asas que no peito e cabeça, com cauda riscada de negro e pescoço esverdeado. Caracterizam-se, em geral, pelos reflexos metálicos na plumagem, cabeça e pés pequenos, bicos com ceroma ou elevação na base e a ponta deste em forma de gancho. O bico é vermelho, curto e fino, com 3,8 cm de comprimento médio.
Esta espécie é originária da Eurásia e África e foi introduzida no Brasil no início da colonização portuguesa. Foi criado por asiáticos desde a antiguidade mais remota - há imagens que o representam, na Mesopotâmia, datadas de 4.500 a.C.
Um grande problema quanto ao pombo é que não há nenhum predador nas grandes cidades para este animal e sua reprodução é rápida, o que gera uma população cada vez crescente, um grave problema ambiental ao homem. É um dos animais sinantrópicos urbanos.
Alimenta-se de sementes, grãos e frutas e, nas cidades, do que estiver disponível nas ruas, incluindo resíduos.
Os casais são muitas vezes constantes; o macho faz reverências à fêmea e ambos se acariciam na cabeça com frequentes arrulhos. Antes do coito, alimentam-se mutuamente com uma massa regurgitada. O pombo-comum faz o seu ninho numa plataforma de ramos, numa árvore ou em qualquer plataforma que esteja livre de frio e chuva, onde põe dois ovos brancos, que são incubados, tanto pelo macho como pela fêmea, eclodindo em 14 a 19 dias. Os filhotes abandonam os ninhos com 15 dias e os pais os alimentam nesse período com "leite de papo", massa rica em proteínas e gorduras que se desenvolve em ambos os sexos durante a procriação.Vítimas habituais de viroses e outras moléstias, como a ornitose e a doença de Newcastle, os pombos são hospedeiros de parasitas em sua plumagem. Entre eles se distingue a mosca-do-pombo (Pseudolynchia canariensis) transmissora do hematozoário Hemoproteus columbae, parasito que não prejudica o hospedeiro.É considerado um grave problema ambiental, pois compete por alimento com as espécies nativas, danifica monumentos com suas fezes e pode transmitir doenças ao homem. Até recentemente 57 doenças eram catalogadas como transmitidas pelos pombos, tais como: histoplasmose, salmonella, criptococose. Mas atualmente vê-se como exagero esta atribuição de vetor de doenças: como exemplo, o Departamento de Saúde de Nova Iorque não tem nenhum registro de caso de doença transmitida por pombos a seres humanos.[1] Há um mito comum entre as pessoas não especializadas e até mesmo entre alguns profissionais da saúde de que eles podem transmitir toxoplasmose, mas a única maneira disso ocorrer seria através de uma hipótese remotíssima: se uma pessoa comesse a carne crua de uma ave que estivesse infectada com o Toxoplasma gondii. Portanto, o pombo não transmite toxoplasmose para seres humanos, somente para os animais que eventualmente se alimentem de aves cruas.
Até recentemente, havia uma certa benevolência com os pombos em áreas urbanas, sendo comum encontrarem-se em pontos turísticos em todo o mundo (como a Trafalgar Square em Londres, ou a Cinelândia carioca), com a presença de vendedores ambulantes licenciados de milho, atirado aos pombos. Atualmente, tais atitudes são desencorajadas e existe uma repugnância crescente à presença dos pombos, tidos como "ratos de asas", em áreas urbanas. Encontra-se na lista de espécies exóticas invasoras do Brasil. Inclusive, em alguns lugares no Sul do Brasil, existem campanhas para diminuir a população de pombas, por várias causas.
Ainda não há políticas públicas do controle da população de pombos nem medidas preventivas distribuídas a população para evitar o contágio das doenças transmitidas por este animal então o ideal é que cada indivíduo tome consciência de que o contato, e a alimentação deste animal leva a proliferação deste problema urbano.


Referências

↑ Real facts about pigeons and public health,"The New York City Department of Health has no documented cases of communicable disease transmitted from pigeons to humans." - Dr. Manuel Vargas, New York City Department of Health.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

CAPILARIASE HEPÁTICA EM RATO DE TELHADO (RATTUS RATTUS) E O RISCO QUE REPRESENTA A SAÚDE PÚBLICA.

CAPILARÍASE HEPÁTICA EM RATO DE TELHADO (RATTUS RATTUS) E O RISCO QUE REPRESENTA A SAÚDE PÚBLICA.

Maria Jeovânia Freire de Almeida-silva*1.;.; Cláudia Del Fava*1.; Márcia Maria Rebouças*1 Ana Eugênia de Carvalho Campos*1. *1Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Animal e vegetal Instituto Biológico, Av. Conselheiro Rodrigues Alves 1252, Bairro Vila Mariana, CEP 04014-002, São Paulo/SP/Brasil; E-mail: biojeovana@yahoo.com.br

RESUMO

Capilariase hepática foi descrita pela primeira vez em 1850, no fígado de um rato segundo, Cross (1998).
O objetivo do presente trabalho é registrar a ocorrência de Capilaria hepática em fígados de ratos de telhados (Rattus rattus), demonstrando o perigo da presença desse parasito para a saúde pública. Observou-se ao exame microscópio que o fígado apresentava parasitas com cápsula de tecido conjuntivo e infiltrado mononuclear sendo que dos 28 animais necropsiados 24 estavam positivos. Pelos resultados obtidos apreende-se a importância do encontro desse parasito em ratos que frequentam residências e estabelecimentos comerciais pondo em risco as pessoas que moram ou trabalham nesses locais.

Palavras-chave: Capilaria hepática, rato de telhado, saúde publica.

INTRODUÇÃO
Capilaria hepática foi descrita pela primeira vez em 1850, no fígado de um rato segundo, Cross (1998). Desde então, tem sido descrita em muitas espécies de mamíferos, incluindo o homem (CHOE et al., 1993; KOHATSU et al., 1995). O mesmo é considerado um parasito primariamente de roedores (FREEMAN & WRIGHT, 1960; CROWELL et al., 1978) tendo sido relatado em Rattus norvegicus, R. rattus. Musmusculos e vários outros roedores silvestres (FREEMAN & WRIGHT, 1960; SOLOMON & HANDLEY, 1971; FARHANG-AZAD, 1977a; CONLOGUE et al., 1979). No Brasil, o parasitismo por C. hepática foi relatado em ratazanas (Ratttus norvegicus) (ARAÚJO, 1967; GALVÃO, 1981), rato dos telhados (R. rattus) (CHDEFFI et al.,1981), cães (VIANNA, 1954; SANTOS & BARROS, 1973; SILVEIRA et al., 1975), gatos (SANTOS & BARROS, 1973), caxinguelê (Sciurus aestuans) (Freitas & Lent, 1936 apud VIANNA, 1954), & caititu (Tayassu tajacu) (MANDORINO & REBOUÇAS, 1991). A infecção se dá pela ingestão de ovos embrionados que eclodem no ceco, liberando larvas que migram pelo sistema porta até o fígado onde são encontrados os helmintos adultos e ovos
O objetivo do presente trabalho é registrar a ocorrência de C. hepática em fígados de ratos de telhados (Rattus rattus), demonstrando o perigo da presença desse parasito para a saúde pública.
Os ratos e os camundongos pertencem à subordem Sciurognathi, família Muridae, subfamília Murinae; são considerados sinantrópicos por associarem-se ao homem em virtude de terem seus ambientes prejudicados pela ação do próprio homem. Das espécies sinantrópicas comensais, a ratazana (Rattus norvegicus), o rato de telhado (Rattus rattus), e o camundongo (Mus musculus), são particularmente importantes por terem distribuição cosmopolita e por serem responsáveis pela maior parte dos prejuízos econômicos e sanitários causados ao homem. O rato de telhado é o roedor comensal predominante na maior parte do interior do Brasil, sendo comum nas propriedades rurais e pequenas e médias cidades do interior (FUNASA, 2002). Além das diferenças morfológicas, os ratos de telhado apresentam hábitos, comportamentos e hábitat bastante distintos da ratazana. Por ser uma espécie arvícola, os ratos de telhado ainda cultivam o hábito de viver usualmente nas superfícies altas das construções, em forros, telhados e sótãos onde constroem seus ninhos, descendo ao solo em busca de alimento e água. Vivem em colônias de indivíduos com laços parentais, cujo tamanho depende dos recursos existentes no ambiente. Sua dispersão em zonas urbanas tem sido facilitada pelas características de verticalização das grandes cidades aliadas aos modelos de construção e decoração dos modernos prédios de escritórios: forros falsos e galerias técnicas para passagem de fios e cabos permitem o abrigo e a movimentação vertical e horizontal desta espécie. Em algumas cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro e São Paulo, a presença do Rattus rattus é cada vez mais comum e predominante em bairros onde anteriormente a ratazana dominava, possivelmente pelo fato dos programas serem direcionados ao controle desta espécie. (FUNASA, 2002).

METODOLOGIA
A pesquisa foi registrada no Cetea sob o nº.85/09. Os ratos foram capturados por meio de armadilhas em telhados de residências e de estabelecimentos comerciais na região leste do Município de São Paulo. Os animais foram eutanasiados em CO2 e necropsiados. Foram coletados fragmentos de fígado, rim e baço. O fígado foi fixado em formol tamponado a 10% e, em seguida, o material foi desidratado e diafanizado em xilol, fixado em parafina liquida e emblocado. Após a obtenção de cortes histológicos, estes foram corados pela hematoxilina-eosina (H-E).

RESULTADOS
Observou-se ao exame microscópio que o fígado apresentava parasitas com cápsula de tecido conjuntivo e infiltrado mononuclear. Identificaram-se ovos de Capillaria hepatica com proliferação de tecido conjuntivo no espaço porta e infiltrado inflamatório pelo morfonuclear com áreas de fibrose no espaço porta e deposito de cálcio causado pela morte do parasito. Dos 28 animais necropsiados 24 estavam positivos para C. hepatica.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Pelos resultados obtidos apreende-se a importância do encontro desse parasita em ratos que frequentam residências e estabelecimentos comerciais pondo em risco as pessoas que moram ou trabalham nesses locais. Conclui-se que há necessidade de um controle desses ratos que, além de transmitirem outros agentes que prejudicam a população, a C. hepática também é uma zoonose que deve ser considerada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, P. Helmintos de Rattus norvegicus (Berkenhout, 1769) da cidade de São Paulo. Rev Fac Farm Bioquím S Paulo, v.5, n.l, p.141-159,1967.
CHIEFFI, P.P., DIAS, R.M.D.S., MANGINI, A.C.S., et al. Capilaria hepatica (BANCROFT, 1893), em murídeos capturados no município de São Paulo, SP, Brasil. Rev Inst Med Trop São Paulo, v.23, n.4, p.143-146,1981.
CHOE, G., LEE, H.S., SEO, J.K., et al. Hepatic capiliariasis: first case report in the republic of Korea. Am J Trop Med Hyg, v.48, n.5, p.610-625,1993.
CROSS, J.H. Capiliariosis. In: PALMER, S.R., SOULSBY, L., SIMPSON, I.H. Zoonoses. Oxford: University, 1998.Cap.57, p.773-781.
FREEMAN, R.S., WRIGHT, K.A. Factors concemed with the epizootiology of Capiliaria hepatica (BANCROFT, 1893) (NEMATODA) in a population of Peromyscus maniculatus in Algonquin Park, Canada. J Parasitology, v.46, p.373-382, 1960.
MANDORINO, I., REBOUÇAS, M.M. Hepatic capiliariasis in caititu (Tayassu tajacu). Arq Inst Biol São Paulo, v.58, n.1/2, p.61-62, 1991.
Manual de Controle de Roedores (2002) fundação nacional de saúde (funasa) Brasília, dezembro de 2002. p. 11-22.
SANTOS, M.N., BARROS, C.S.L. Capilaria hepatica, parasitismo do cão e gato no Estado do Rio Grande do Sul. Ver Med Vet, São Paulo, v.9, n.2, p. 133-140, 1973.
VIANNA, Y.L. Sobre um caso de capilariose hepática em canino do Rio de Janeiro. Veterinária, v.7, n.2, p.8-20, 1954.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

ISOLAMENTO DE AGENTES DE ZOONOSES EM ROEDORES CAPTURADOS EM REGIÕES SUJEITAS A INUNDAÇÃO NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Maria Jeovania Freire de Almeida-Silva
Orientadora: Ana Eugênia de Carvalho Campos1
1Laboratório de Referência em Pragas Urbanas – Instituto Biológico/APTA, São Paulo-SP.


A humanidade luta contra os roedores há tempo. Os métodos de exploração da natureza desenvolvidos pelo homen acabaram por favorecer a instalação e a proliferação desses animais. Três espécies são consideradas pragas urbanas, isto é, espécies de animais que convivem próximo ao ser humano, a despeito da vontade deste. São elas a ratazana (Rattus norvegicus), o rato-de-telhado (Rattus rattus) e o camundongo (Mus musculus), sendo consideradas, de ocorrência cosmopolita. Com o objetivo de avaliar a população de roedores, sua estrutura etária, as espécies prevalentes, a razão sexual, a infestação por ectoparasitas e a presença de agentes de zoonoses, foram instaladas 240 armadilhas Tomahawk® que foram deixadas de 10 a 15 dias em imóveis no subdistrito de Itaquera e Aricanduva Zona Leste da cidade de São Paulo e no CEAGESP Zona Oeste. Cinqüenta roedores foram capturados no total, sendo o sucesso de captura de 25%. A espécie infestante foi R. rattus,(49/50) e apenas um R. norvegicus (01/50). Foram capturados mais indivíduos jovens no período de outono inverno e mais fêmeas no período de primavera/verão. Não houve roedor reagente para qualquer um dos 22 sorovares de Leptospira spp. Em relação ao isolamento em meio de cultura, 09 das amostras, foram suspeitas para leptospira e será posteriormente confirmada ser positiva para Leptospira spp. por meio de análise de PCR. Foi encontrado um elevado índice de parasitismo por Capilaria hepática, 76% (38/50) através de análises histopatológicas. Não houve amostra positivas para vaccinia e pseudovariola bovina . Dos 50 roedores analisados, três estavam infestados com Laelaps echidninus (Acarina: Laelaptidae). Esta é uma espécie de ácaro comum em roedores. Apenas um animal estava infestado com Ctenocephalides felis felis (Siphonaptera: Pulicidae). Em seis foram encontrados infestações de pulgas e que seram posteriormente identificadas e avaliado sua relação com transmissão de doenças que possam afeta a saúde publica.




Palavras-chave: Capillaria Hepatica, Poxvírus, Roedores Sinántrópicos, Saúde Publica, Zoonoses.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pragas Urbanas - Precisa controlar?

Muitos insetos e vários animais como, ratos,
morcegos, pombos, aracnídeos entre outros, vivem em
contato íntimo com o homem, associados às cidades
invadindo e colonizando locais habitados, danificando
construções, transmitindo doenças a animais e aos
próprios seres humanos. Estes animais sinantrópicos
(que coabitam com o homem) podem muitas vezes ser
considerados pragas urbanas, devido a sua alta adaptabilidade,
capacidade reprodutiva e a quantidade
de abrigos e alimentos encontrados em áreas
urbanizadas, causando grande incômodo e desconforto
em todos os níveis sociais. O trinômio água, abrigo,
alimento (AAA) gerado pelo desequilíbrio
ambiental (lixões, falta de saneamento básico, tratamento
inadequado da água, entre outros) inerente a
própria cultura humana, possibilita que diversas
pragas usufruam da hospitalidade inconsciente das
cidades, dificultando o dia-a-dia de seus habitantes.

Se tem um problema com algumas destas pragas então entre em contato comigo para controlarmos a mesma.

email:
biojeovana@yahoo.com.br
tel:(11) 7551-2002

Pernilongos (Mosquitos)

Os mosquitos são insetos da Ordem Diptera, pertencentes
à Família Culicidae, conhecidos também
como pernilongos, muriçocas ou carapanãs. Os adultos
são alados, possuem pernas e antenas longas e na
grande maioria são hematófagos, enquanto as fases
imaturas são aquáticas. Seu ciclo biológico compreende
as seguintes fases: ovo, quatro estádios larvais,
pupa e adulto. As larvas de mosquitos são aquáticas,
do tipo vermiforme e com coloração variando entre o
branco sujo, esverdeado, avermelhado ou mesmo
enegrecido. As larvas possuem aparelho bucal
mastigador-raspador adaptadas à trituração de alimentos.
Possuem sifão respiratório (respiram ar) localizado
no último segmento abdominal, no qual se
abrem os espiráculos.
As pupas são móveis e possuem o aspecto de vírgula.
Ficam normalmente paradas junto a superfície
da água e se movimentam ativamente quando perturbadas.
A forma adulta, que compreende a fase alada,
depende da ingestão de carboidratos para o aumento
da atividade metabólica e conseqüente longevidade.
Somente as fêmeas são hematófagas, sendo que o
repasto sangüíneo está intimamente relacionado ao
desenvolvimento dos ovos. Por sua vez, o repasto
sangüíneo pode também contribuir para aumentar a
longevidade das fêmeas.
O gênero Aedes compreende numerosas espécies.
A espécie Aedes aegypti é a principal
transmissora da dengue e febre amarela nas cidades,
sendo originária da África, provavelmente tendo
sido trazida para América logo após o descobrimento.
A dengue é transmitida através da picada
de fêmeas do mosquito, que ao sugar o sangue,
inoculam o vírus causador da dengue. As fêmeas
colocam seus ovos próximos à superfície de reservatórios
naturais (poças, lagoas, etc.) ou artificiais
(caixas d’água, pneus, garrafas, etc.), contendo
água parada e limpa, onde após o nascimento dos
ovos se desenvolvem as larvas e pupas do mosquito.
Os ovos podem resistir sem o contato direto com
a água (resistentes a dessecação) por longos períodos
de tempo (seis meses ou mais). O ciclo de vida
da espécie A. aegypti é relativamente curto, em torno
de 07 a 15 dias (ovo a adulto).
A. albopictus e A. aegypti são mosquitos que ocorrem
normalmente em áreas de climas temperados e
tropicais, associados à presença do homem, utilizando
os criadouros propiciados pela atividade humana.
São comumente encontrados nas áreas como bocas
de matas e plantações. São menores que o mosquito
comum, possuem a coloração escura rajada de
branco, são de hábito diurno (picam durante o dia) e
muito ecléticos quanto ao hospedeiro, sendo o homem
e as aves suas vítimas mais freqüentes. Comparecem com freqüência ao domicílio humano,
mas são muito mais comuns no peridomicílio; seus
ovos são resistentes à dessecação e sua densidade é
diretamente influenciada pelas chuvas.
Os espécimes adultos do gênero Culex (pernilongo
comum noturno) variam de pequeno a médio porte e
tem coloração geral marrom ou enegrecida, possuem
hábitos noturnos ou crepusculares, atacam o homem
(antropofílicos) e uma enorme variedade de animais,
principalmente aves. Seus ovos não são resistentes à
dessecação e são depositados em conjuntos em forma
de “jangadas” flutuantes, mas há exceções à esta regra.
Os criadouros preferenciais são depósitos artificiais,
no solo ou em recipientes, com água estagnada
rica em matéria orgânica em decomposição e detritos,
de aspecto sujo e mal cheirosa. Principalmente a espécie
C. quinquefasciatus é a vetora primária da filariose
bancroftiana (W. bancrofti) no Brasil, além de
arboviroses (vírus transmitidos por artrópodes), sendo
considerada uma espécie extremamente importante
em regiões endêmicas como ao norte de nosso País.

autor:
Francisco José Zorzenon
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em
Sanidade Vegetal do Instituto Biológico
São Paulo – SP
E-mail: zorzenon@biologico.sp.gov.br

ICUP - CONGRESSO EM OURO PRETO SOBRE PRAGAS URBANAS

Em agosto ocorrerá um congresso sobre pragas urbanas. Venham o link e façam já as suas inscrições
http://www.icup2011.com/index.html

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Baratas

As baratas apareceram sobre a face do nosso planeta a aproximadamente 400 milhões de anos atrás e são sem dúvida, um dos insetos mais conhecidos e causadores de repulsa nos seres humanos desde os seus primórdios. Pertencentes a Ordem Dictyoptera, foram descobertas até o momento cerca de 3500 espécies de baratas, onde apenas 1% destas possuem hábitos domiciliares. Muitas espécies vivem na natureza e são importantes na cadeira ecológica, servindo de alimento a outros seres e mesmo ajudando na incorporação de nutrientes ao meio ambiente silvestre. Possuem pouca ou praticamente nenhuma importância na agricultura. As espécies mais nocivas ao homem e que são freqüentemente encontradas em residências são: Periplaneta americana (barata americana), Blattella germanica (barata alemã), Blatta orientalis (barata oriental) e Periplaneta autralasiae (barata australiana). Devido a sua alta adaptabilidade, capacidade reprodutiva e a quantidade de abrigos e alimentos encontrados em áreas urbanizadas, as várias espécies
de baratas proliferaram com grande facilidade e rapidez, causando grande incômodo e desconforto
em todos os níveis sociais. Sua presença em condomínios, hospitais, clínicas, escolas, restaurantes, supermercados e em tantos outros estabelecimentos comerciais e residenciais, é preocupante tendo em vista a sua enorme capacidade de proliferação e de veiculação
de microorganismos patogênicos (doenças), mecanicamente e biologicamente.
As espécies Periplaneta americana (barata americana ou de esgoto) e Blattella germanica (baratinha alemã), são as de maior importância. O ciclo de vida da barata de esgoto varia entre 180 a 1095 dias, sendo que uma fêmea coloca em sua vida uma média 225 ovos dispostos em várias ootecas (agrupamento de ovos depositados em uma espécie de invólucro rígido, feito pela própria barata para proteção). Esta espécie de porte médio e coloração avermelhada, localiza-se preferencialmente em tubulações de esgotos, caixas de gordura (inspeção), embaixo de pias e locais escuros e úmidos em geral. A espécie Blattella germanica, de porte bem menor e de cor variando entre o cinza claro ao marrom amarelado, é extremamente prolífera (260 ovos/fêmea) e de ciclo de vida bem mais curto (200 a 300 dias). Este inseto é localizado principalmente em locais quentes e úmidos,atrás de fogões, geladeiras, frestas, armários de cozinha, entre outros.

Biologia dos Roedores

Embora muitas pessoas considerem roedores, em geral, como praga, somente um pequeno número de espécies causa danos econômicos e transmite doenças para o homem, os animais domésticos e os silvestres. Provavelmente, menos de 50 espécies são consideradas realmente pragas (ALVES, 1990). Destas, a maioria é considerada, apenas, como praga agrícola, atacando campos de diversas culturas pelo mundo todo. Três espécies são consideradas pragas urbanas, isto é, espécies de animais que convivem próximo ao ser humano, a despeito da vontade deste. São elas a ratazana (Rattus norvegicus), o rato-de-telhado (Rattus rattus) e o camundongo (Mus musculus), sendo consideradas, conforme MEEHAN (1984), de ocorrência em todo o mundo, inclusive na Cidade de São Paulo, em que são encontradas infestando os quatro cantos (GARCIA, 1998).
Esses roedores pertencem ao Filo Mammalia, e sua classificação filogenética são: Ordem Rodentia, Subordem Myomorpha, Família Muridae, Subfamília Murinea (NOWAK, 1991). Apesar dessas espécies de roedores possuam muitas características em comum, elas pertencem a dois gêneros distintos. A ratazana e o rato-de-telhado pertencem ao gênero Rattus, enquanto o camundongo pertence ao Mus. O gênero Rattus é o que possui o maior número de espécies entre todos os gêneros de mamíferos (NOWAK, 1991). Rattus norvegicus (ratazana) também conhecida como rato de esgoto, rato marrom, rato da Noruega, gabiru, etc., é a espécie mais comum na faixa litorânea brasileira. Vive em colônias cujo tamanho depende da disponibilidade de abrigo e alimento no território habitado, podendo atingir um grande número de indivíduos em situações de abundância alimentar.
É uma espécie de hábito fossorial, seu abrigo preferencial fica abaixo do nível do solo. Com o auxílio de suas patas e dentes, as ratazanas cavam ativamente tocas e/ou ninheiras no chão, formando galerias que causam danos às estruturas locais (BRASIL, 2002).
Encontram-se facilmente em galerias de esgotos e águas pluviais, caixas subterrâneas de telefone, eletricidade, etc. Podem, também, construir ninhos no interior de estruturas, em locais pouco movimentados, próximos às fontes de água e alimentos. E Embora possam percorrer grandes distâncias em caso de necessidade, os indivíduos desta espécie têm raio de ação (território) relativamente curto, raramente ultrapassando os 50 metros. Na área delimitada por feromônios constroem seus ninhos, onde se alimentam, procuram e defendem seus parceiros sexuais. Este território é ativamente defendido de intrusos que são expulsos por indivíduos dominantes da colônia.Costumam apresentar marcada neofobia, isto é, desconfiança a novos objetos e/ou alimentos colocados no seu território (BRASIL, 2002).
Este comportamento varia de população para população e de indivíduo para indivíduo, sendo mais acentuado naqueles locais onde há pouco movimento de pessoas e objetos. Nestes locais, o controle é mais lento e difícil de ser atingido, em virtude da aversão inicial dos indivíduos às iscas, porta-iscas e armadilhas colocadas no ambiente. Já nos locais onde haja movimento contínuo de pessoas, objetos e mercadorias, a neofobia é menos acentuada ou inexistente e os novosalimentos (iscas) e objetos (armadilhas) são imediatamente visitados, tornando-se, desta forma, mais fácil o seu controle (BRASIL, 2002).
A dispersão das ratazanas pode se dar passivamente, quando indivíduos são transportados em caminhões, navios, trens, no interior de contêineres, etc., ou ativamente, quando o indivíduo deixa sua colônia em busca de outro local para abrigo. As razões que levam um indivíduo a esta situação são bastante diversas, mas é certo que a redução da disponibilidade de alimento e abrigos por alterações ambientais são fatores importantes na dispersão dos roedores. Outra pressão importante que provoca a dispersão é o excesso populacional (BRASIL, 2002).
O processo de urbanização desenfreada e sem planejamento da maioria das cidades de médio e grande porte do Brasil têm favorecido o crescimento da população e a dispersão das ratazanas. Fatores como a expansão de favelas e loteamentos clandestinos sem redes de esgoto e principalmente com coleta de lixo inadequada ou insuficiente, certamente têm propiciado o aumento desta espécie. Epidemias de leptospirose ocorrem geralmente nos ambientes degradados, não deixando de ocorrer, no entanto, em áreas adequadamente urbanizadas. São cada vez mais comuns casos de mordeduras por ratazanas ou toxi-infecções causadas por ingestão de alimentos contaminados pelos roedores. Outro fator a ser ressaltado é o freqüente envenenamento acidental por raticidas e outras substâncias tóxicas utilizadas inadequadamente pela população em geral no controle de roedores (BRASIL, 2002). Rattus rattus (rato de telhado), também conhecido como rato preto, rato de forro, rato de paiol, rato de silo ou rato de navio. É o roedor comensal predominante na maior parte do interior do Brasil sendo comum nas propriedades rurais e pequenas e médias cidades do interior (BRASIL, 2002). Além das diferenças morfológicas, os ratos de telhado apresentam hábitos, comportamentos e hábitat bastante distintos da ratazana. Por ser uma espécie arvícola, os ratos de telhado ainda cultivam o hábito de viver usualmente nas superfícies altas das construções, em forros, telhados e sótãos onde constroem seus ninhos, descendo ao solo em busca de alimento e água. Vivem em colônias de indivíduos com laços parentais, cujo tamanho depende dos recursos existentes no ambiente. Seu raio de ação tende a ser maior que o da ratazana, devido à sua habilidade em escalar superfícies verticais e à facilidade com que anda sobre fios, cabos e galhos de árvores. (BRASIL, 2002).
Sua dispersão em zonas urbanas tem sido facilitada pelas características de verticalização das grandes cidades aliadas aos modelos de construção e decoração dos modernos prédios de escritórios: forros falsos e galerias técnicas para passagem de fios e cabos permitem o abrigo e a movimentação vertical e horizontal desta espécie. Em algumas cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro e São Paulo, a presença do Rattus Rattus é cada vez mais comum e predominante em bairros onde anteriormente a ratazana dominava, possivelmente pelo fato dos programas serem direcionados ao controle desta espécie. Mus musculus (camundongo), também conhecido por mondongo, catita, rato caseiro, rato de gaveta, rato de botica, muricha e ainda por outras denominações regionais, é a espécie que atinge maior nível de dispersão, sendo encontrado praticamente em todas as regiões geográficas e climáticas do planeta. É originária das estepes da Ásia Central, região onde se acredita, tenha se desenvolvido inicialmente a agricultura. Neste período, os camundongos tornaram-se comensais do homem ao invadirem os locais onde os cereais colhidos eram estocados. Sua associação com o homem é, portanto, bastante antiga, sendo a habitação humana compartilhada com esses roedores há alguns milhares de anos (MEEHAN, 1984).
São animais de pequeno porte que raramente ultrapassam 25 g de peso e 18 cm de comprimento (incluindo a cauda); dessa forma, são transportados passivamente para o interior das residências, tornando-se importantes pragas intradomiciliares. Uma vez em seu interior, podem permanecer longo período sem serem notados, sendo sua existência detectada quando a infestação já estiver estabelecida . Seu raio de ação é pequeno, raramente ultrapassando os 3 m (MEEHAN, 1984).
Camundongos costumam fazer seus ninhos no fundo de gavetas e armários pouco utilizados, no interior de estufas de fogões e em quintais onde são criados animais domésticos. Neste último caso, podem cavar pequenas ninheiras no solo, semelhantes às das ratazanas, podendo formar numerosos complexos de galerias onde houver grande oferta de alimentos. São onívoros como a ratazana e o rato de telhado, ou seja, alimentam-se de todo tipo de alimento, embora demonstrem preferência pelo consumo de grãos e cereais. São animais curiosos e possuem o hábito de explorar ativa e minuciosamente o ambiente em que vivem (neófilos), não apresentando o comportamento de neofobia, característico dos ratos de telhado e ratazanas. Podem penetrar em 20 a 30 locais por noite em busca de alimento, trazendo sérios problemas de contaminação de alimentos em despensas e depósitos em geral, além de dificultar o seu controle por raticidas.
Apesar dos riscos que a sua presença pode trazer nas habitações humanas, os camundongos nem sempre são tidos como nocivos sendo até tolerados por grande parte da população. Além disso, há poucas informações sobre a real incidência desta espécie no Brasil, não havendo dados confiáveis a respeito de sua distribuição, dispersão e seu papel na transmissão de doenças (BRASIL, 2002).

Reportagem do Programa Tudo a Ver ( Saiba como lidar com as Pragas Urbanas)

Roedores: Risco a Saúde Publica

Presença de capilariase hepática em rato de telhado (Rattus Rattus).

ALMEIDA,M.J.F1.;LIMA,M.S. 2; BABOLIN.L.S3.; DIAS.M.A4.; FEDER SONI.I.S.P5.;
 DELFAVA.C6.;OKUDA.L6.;CASTRO.V6.;NOGUEIRA.A6.;REBOLÇAS.M.M6. ;CAMPOS, A.E.C. 6 Instituto Biológico, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Animal, e vegetal.  Av . Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, CEP: 04014-002. Vila Mariana, São Paulo, S.P., Brasil. biojeovana@yahoo.com.br.

 A Capilaria hepatica foi descrita pela primeira vez em 1850, segundo Cross (1998) no fígado de um rato. Desde então, tem sido encontrada em muitas espécies de mamíferos, aves, incluindo o homem. O ciclo de C. hepatica é direto. A infecção se dá pela ingestão de ovos embrionados que eclodem no ceco, liberando larvas que migram pelo sistema porta até o fígado onde são encontrados os helmintos adultos e ovos. O objetivo do presente trabalho é registrar a ocorrência de C. hepatica em fígados de ratos de telhados (Rattus rattus), demonstrando o perigo da presença  desse parasita em ratos que convivem com os seres humanos. A pesquisa foi registrada no Cetea sob o nº.85/09.  Os ratos foram capturados por meio de armadilhas em telhados de residências e de estabelecimentos comerciais na região leste do Município de São Paulo. Os animais foram eutanasiados em CO2 e necropsiados. Foram coletados fragmentos de fígado, rim e baço. O fígado foi fixado em formol tamponado a 10% e, em seguida, o material foi desidratado e diafanizado em xilol, fixado em parafina liquida e emblocado. Após a obtenção de cortes histológicos, estes foram corados pela hematoxilina-eosina (H-E). Observou-se ao exame microscópio que o fígado apresentava parasitas com cápsula de tecido conjuntivo e infiltrado mononuclear. Identificou-se ovos de Capillaria hepatica com proliferação de tecido conjuntivo no espaço porta e infiltrado inflamatório pelo morfo nuclear com áreas de fibrose no espaço porta e deposito de cálcio causado pela morte do parasita. Dos 11 animais necropsiados 6 estavam positivos para C. hepatica. Pelos resultados obtidos apreende-se a importância do encontro desse parasita em ratos que frequentam residências e estabelecimentos comerciais pondo em risco as pessoas que moram ou trabalham nesses locais. Conclui-se que há necessidade de um controle desses ratos que, além de transmitirem outros agentes que prejudicam a população, a C. hepática também é uma zoonose que deve ser considerada.


1–Bióloga – Formada pela Universidade Cidade de São Paulo - (UNICID).
2 – Aluna do curso de Medicina Veterinária UMESP – SP.
3- Aluna de pós-graduação – Instituto Biológico.
4- Aluna do curso de Biologia - Centro Universitário Fundação Santo André.
5- Médico Veterinário - Formado pela Universidade Paulista (UNIP).
6- Pesquisadores do Instituto Biológico – SP.


terça-feira, 12 de julho de 2011

As formigas podem ser transmissoras de doenças


FORMIGAS (HYMENOPTERA: FORMICIDAE) COMO VETORES DE BACTÉRIAS EM DOIS HOSPITAIS DO MUNICÍPIO DE DIVINÓPOLIS, MINAS GERAIS: RESULTADOS PARCIAIS

Paula Fernandes dos Santos¹; Alysson Rodrigo Fonseca2; Newton Moreno Sanches 2; Josimar Ângelo dos Santos3

1Bolsista do CNPq, aluna do curso de Ciências Biológicas da FUNEDI/UEMG; 2Professores orientadores da FUNEDI/UEMG; 3Bolsista PAPq, aluno do curso de Ciências Biológicas da FUNEDI/UEMG

Introdução
Os problemas associados à urbanização incluem, além da concentração exagerada de pessoas, aumento da poluição e redução no controle sanitário e a transmissão de doenças por artrópodes. Entre eles, os insetos sociais, particularmente as formigas, são os animais que melhor se adaptaram ao ambiente urbano, afetando a qualidade de vida da população pela possibilidade de afetar estruturas residenciais ou ainda pela ameaça que podem causar à saúde pública (OLIVEIRA e CAMPOS-FARINHA, 2005).
Quando em ambientes urbanos, especialmente em hospitais, podem atuar como vetores mecânicos de microrganismos patogênicos. Os fatores que influem a presença de formigas nos hospitais são a estrutura arquitetônica, proximidade a residências (que estimula a migração desses insetos), embalagens de alguns medicamentos que podem trazer ninhos de formigas para o ambiente interno, circulação de um grande número de pessoas com roupas e objetos que podem conter ninhos de formigas, além de alimentos que funcionam como atrativo extra (ZARZUELA et. al. 2002). Assim, o objetivo deste trabalho foi realizar o levantamento da distribuição espacial de formigas nas dependências físicas de dois hospitais regionais de médio porte da cidade de Divinópolis, MG, buscando-se analisar a presença de bactérias associadas a elas.

Metodologia
As formigas foram coletadas mensalmente durante seis meses em dois hospitais do município de Divinópolis, MG. Os hospitais foram nomeados como A e B, sendo o hospital A, de maior porte, atendendo pelo Sistema Único de Saúde e por planos particulares e o Hospital B, um hospital de menor porte, que atende somente por planos particulares. As iscas foram colocadas em 21 pontos diferentes dos hospitais, sendo estes: almoxarifado, ambulatório berçário, centro cirúrgico, central de esterilização, clínica médica, dois corredores, cozinha, farmácia, laboratório, maternidade, capela, radiologia, centro de terapia intensiva, cinco quartos e área externa. Em cada ponto de coleta foram colocadas três iscas em três diferentes tubos de ensaio (50mm de comprimento x 7 mm de diâmetro), esterelizados a 121°C por 20 minutos e posteriormente identificados. As iscas não tóxicas consistiram de (1) bolo de abacaxi e mel; (2) sardinha e (3) açúcar e mel. Em cada ponto os tubos permaneceram no chão por duas horas. Amostras de formigas coletadas em cada tubo foram assepticamente transferidas para tubos ependorff contendo 1mL de água peptonada estéril, onde foram mantidas por uma hora. Posteriormente, as formigas foram transferidas para álcool 70% para posterior identificação. Um volume de 100 ml de água peptonada de cada tubo foram transferidos para placas contendo Ágar Mueller Hinton e incubados a 35°C por 24 e 48 horas. Após este período, as colônias foram analisadas quanto ao número, aspecto e morfologia. As colônias foram transferidas separadamente para tubos com Ágar Mueller Hinton inclinado e incubadas a 35°C por 24-48 horas. Após o crescimento as colônias foram suspensas em água destilada estéril e inoculadas em placas de Petri contendo os seguintes meios de cultura: Ágar Manitol Salgado, Ágar Cetrimida, Ágar MacConkey, Ágar Teague, Caldo Azida-Dextrose e Meio Infuso Cérebro-Coração. As formigas coletadas foram identificadas segundo a chave de classificação proposta por Bueno e Campos-Farinha (1999).

Resultados Parciais

As tabelas abaixo (Tabelas A e B) mostram a relação entre formigas e bactérias / nº de colônias nos dois hospitais alvo de estudo.

 Tabela 01: Relação entre formigas e bactérias/nº de colônias no Hospital A, município de Divinópolis, MG.

FORMIGAS                                                                                        BACTÉRIAS                                                 Nº DE COLÔNIAS
Pheidole sp1 e sp2
Staphylococcus patogênico
275

Enterococcus
2

Streptococcus
237

Pseudomonas aeruginosa
509

Coliformes fecais
892

E. coli
+2000
Solenopsis sp.
Staphylococcus não patogênico
107

Streptococcus
1

Staphylococcus patogênico
+2000

Enterococcus
+2000
Tapinoma melanocephalum
Enterococcus
154

Streptococcus
150

Staphylococcus patogênico
2
Odontomachus sp.
Pseudomonas aeruginosa
1

E. coli
1

Streptococcus
+2000
Wasmannia auropunctata
Staphylococcus patogênico
+2000

Streptococcus
1



De acordo com RITCHMANN (2005), Pseudomonas aeruginosa tem sido responsável pela maioria das pneumonias hospitalares. Já nos casos de infecção hospitalar e bacteremia, está associada ao cateterismo vesical e venoso central, entubações e neurotropenia grave. No que se refere à E.coli, mesmo fazendo parte do trato gastrointestinal dos seres humanos, tem sido reportada como um dos agentes mais importantes das infecções extra-intestinais, como diarréias em adultos e crianças e cerato-conjuntivite experimental, uma infecção semelhante à shigelose (MITAK e MITAK, 1981)

Tabela 02: Relação entre formigas e bactérias / nº de colônias de Hospital B, município de Divinópolis, MG.

FORMIGAS                                                                                        BACTÉRIAS                                                    Nº DE COLÔNIAS
Linepithema humile
E. coli
259

Streptococcus
18
Pheidole sp1 e sp2
Staphylococcus patogênico
909

Streptococcus
21
Acromyrmex sp.
Pseudomonas aeruginosa
211

Coliformes fecais
21

Staphylococcus patogênico
211

Streptococcus
102
Solenopsis sp.
Enterococcus
11
Odontomachus sp.
Coliformes fecais
12

Staphylococcus patogênico
900

Enterococcus
903

Staphylococcus não patogênico
5
Camponotus sp1 e sp2
Estreptococcus
+2000
Wasmannia auropunctata
Estreptococcus
562

Pseudomonas aeruginosa
4

Staphylococcus não patogênico
1


De acordo com RITCHMANN (2005) a veiculação de Staphylococcus por formigas em ambientes hospitalares é relevante, especialmente pelo fato deste microrganismo ser o patógeno que mais comumente causa infecções hospitalares, sendo altamente virulento. S. aureus produz pústulas, abscessos ou furúnculos, impetigo, feridas infeccionadas, pielite, cistite, intoxicação alimentar, pneumonia, empiema, osteomielite, artrite, meningite, sepse, abscesso cerebral, endocardite, enterite e supuração em quase todos os órgãos. S. epidermidis, ocasionalmente causa infecções, inclusive sepse e S. saprophyticus tem predileção pelo trato genito-urinário, especialmente em mulheres jovens, nas quais causa infecção aguda (MITAK e MITAK, 1981).
Enterococcus sp. é causadora de infecções hospitalares, particularmente em unidades de terapia intensiva (JALWETZ et. al., 1998). Os estreptococos estão amplamente distribuídos na natureza, sendo responsáveis por patologias como erisipela, escarlatina, glomerulonefrite aguda, febre reumática, infecções da garganta, ouvido, sinus, faringite, meningite, pneumonia, endocardite aguda, infecções do trato genitourinário e de ferimentos, sepse, dentre outras (MITAK e MITAK, 1981).

Considerações Finais

As formigas mostraram-se potencialmente importantes como vetores de microorganismos patogênicos, podendo ser causadoras de infecções hospitalares. Diante desses fatos, é inevitável que se pense em medidas de prevenção/controle para esses artrópodes nos hospitais, já que mostra-se real a possibilidade de veiculação de microrganismos patogênicos.

Referências

BUENO, O.C. CAMPOS-FARINHA, A.E.C. As Formigas Domésticas. In: MARICONI F.A.M. Insetos e outros invasores de residências. Piracicaba: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz. 1999. p.135-180.

JAWETZ, E. MELNICK, J. ADELBERG, E.A. Microbiologia Médica. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 1998. 846p.

MITAK, D.M. MITAK, K.W. Dicionário de Bactérias: um guia para o médico.  São Paulo: Lilly Laboratórios. 1981. 243p.

OLIVEIRA, M.F. de. CAMPOS-FARINHA, A.E.C. Formigas urbanas do município de Maringá, PR, e suas implicações. Arquivo do Instituto Biológico. São Paulo, SP. v.72. n.1. p. 33-39. jan./ mar., 2005.

RITCHMANN, R. Guia Prático de Controle de Infecção Hospitalar. Soriak Comércio e Promoções S.A. Distribuído por Eurofarma Laboratórios Ltda. São Paulo, SP. 2005.

ZARZUELA, M.F.M. RIBEIRO, M.C.C. CAMPOS-FARINHA, A.E.C. Distribuição de formigas urbanas em um hospital da região sudeste do Brasil. Arquivo do Instituto Biológico. São Paulo, SP. v.69. n.1. p.85-87. jan./ mar., 2002.

Agências de Fomento: Bolsas de iniciação científica: CNPq e PAPq.

Palavras-chave: Formigas urbanas, hospital, infecção hospitalar.