CAPILARÍASE HEPÁTICA EM RATO DE TELHADO (RATTUS RATTUS) E O RISCO QUE REPRESENTA A SAÚDE PÚBLICA.
Maria Jeovânia Freire de Almeida-silva*1.;.; Cláudia Del Fava*1.; Márcia Maria Rebouças*1 Ana Eugênia de Carvalho Campos*1. *1Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Animal e vegetal Instituto Biológico, Av. Conselheiro Rodrigues Alves 1252, Bairro Vila Mariana, CEP 04014-002, São Paulo/SP/Brasil; E-mail: biojeovana@yahoo.com.br
RESUMO
Capilariase hepática foi descrita pela primeira vez em 1850, no fígado de um rato segundo, Cross (1998).
O objetivo do presente trabalho é registrar a ocorrência de Capilaria hepática em fígados de ratos de telhados (Rattus rattus), demonstrando o perigo da presença desse parasito para a saúde pública. Observou-se ao exame microscópio que o fígado apresentava parasitas com cápsula de tecido conjuntivo e infiltrado mononuclear sendo que dos 28 animais necropsiados 24 estavam positivos. Pelos resultados obtidos apreende-se a importância do encontro desse parasito em ratos que frequentam residências e estabelecimentos comerciais pondo em risco as pessoas que moram ou trabalham nesses locais.
Palavras-chave: Capilaria hepática, rato de telhado, saúde publica.
INTRODUÇÃO
Capilaria hepática foi descrita pela primeira vez em 1850, no fígado de um rato segundo, Cross (1998). Desde então, tem sido descrita em muitas espécies de mamíferos, incluindo o homem (CHOE et al., 1993; KOHATSU et al., 1995). O mesmo é considerado um parasito primariamente de roedores (FREEMAN & WRIGHT, 1960; CROWELL et al., 1978) tendo sido relatado em Rattus norvegicus, R. rattus. Musmusculos e vários outros roedores silvestres (FREEMAN & WRIGHT, 1960; SOLOMON & HANDLEY, 1971; FARHANG-AZAD, 1977a; CONLOGUE et al., 1979). No Brasil, o parasitismo por C. hepática foi relatado em ratazanas (Ratttus norvegicus) (ARAÚJO, 1967; GALVÃO, 1981), rato dos telhados (R. rattus) (CHDEFFI et al.,1981), cães (VIANNA, 1954; SANTOS & BARROS, 1973; SILVEIRA et al., 1975), gatos (SANTOS & BARROS, 1973), caxinguelê (Sciurus aestuans) (Freitas & Lent, 1936 apud VIANNA, 1954), & caititu (Tayassu tajacu) (MANDORINO & REBOUÇAS, 1991). A infecção se dá pela ingestão de ovos embrionados que eclodem no ceco, liberando larvas que migram pelo sistema porta até o fígado onde são encontrados os helmintos adultos e ovos
O objetivo do presente trabalho é registrar a ocorrência de C. hepática em fígados de ratos de telhados (Rattus rattus), demonstrando o perigo da presença desse parasito para a saúde pública.
Os ratos e os camundongos pertencem à subordem Sciurognathi, família Muridae, subfamília Murinae; são considerados sinantrópicos por associarem-se ao homem em virtude de terem seus ambientes prejudicados pela ação do próprio homem. Das espécies sinantrópicas comensais, a ratazana (Rattus norvegicus), o rato de telhado (Rattus rattus), e o camundongo (Mus musculus), são particularmente importantes por terem distribuição cosmopolita e por serem responsáveis pela maior parte dos prejuízos econômicos e sanitários causados ao homem. O rato de telhado é o roedor comensal predominante na maior parte do interior do Brasil, sendo comum nas propriedades rurais e pequenas e médias cidades do interior (FUNASA, 2002). Além das diferenças morfológicas, os ratos de telhado apresentam hábitos, comportamentos e hábitat bastante distintos da ratazana. Por ser uma espécie arvícola, os ratos de telhado ainda cultivam o hábito de viver usualmente nas superfícies altas das construções, em forros, telhados e sótãos onde constroem seus ninhos, descendo ao solo em busca de alimento e água. Vivem em colônias de indivíduos com laços parentais, cujo tamanho depende dos recursos existentes no ambiente. Sua dispersão em zonas urbanas tem sido facilitada pelas características de verticalização das grandes cidades aliadas aos modelos de construção e decoração dos modernos prédios de escritórios: forros falsos e galerias técnicas para passagem de fios e cabos permitem o abrigo e a movimentação vertical e horizontal desta espécie. Em algumas cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro e São Paulo, a presença do Rattus rattus é cada vez mais comum e predominante em bairros onde anteriormente a ratazana dominava, possivelmente pelo fato dos programas serem direcionados ao controle desta espécie. (FUNASA, 2002).
METODOLOGIA
A pesquisa foi registrada no Cetea sob o nº.85/09. Os ratos foram capturados por meio de armadilhas em telhados de residências e de estabelecimentos comerciais na região leste do Município de São Paulo. Os animais foram eutanasiados em CO2 e necropsiados. Foram coletados fragmentos de fígado, rim e baço. O fígado foi fixado em formol tamponado a 10% e, em seguida, o material foi desidratado e diafanizado em xilol, fixado em parafina liquida e emblocado. Após a obtenção de cortes histológicos, estes foram corados pela hematoxilina-eosina (H-E).
RESULTADOS
Observou-se ao exame microscópio que o fígado apresentava parasitas com cápsula de tecido conjuntivo e infiltrado mononuclear. Identificaram-se ovos de Capillaria hepatica com proliferação de tecido conjuntivo no espaço porta e infiltrado inflamatório pelo morfonuclear com áreas de fibrose no espaço porta e deposito de cálcio causado pela morte do parasito. Dos 28 animais necropsiados 24 estavam positivos para C. hepatica.
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Pelos resultados obtidos apreende-se a importância do encontro desse parasita em ratos que frequentam residências e estabelecimentos comerciais pondo em risco as pessoas que moram ou trabalham nesses locais. Conclui-se que há necessidade de um controle desses ratos que, além de transmitirem outros agentes que prejudicam a população, a C. hepática também é uma zoonose que deve ser considerada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, P. Helmintos de Rattus norvegicus (Berkenhout, 1769) da cidade de São Paulo. Rev Fac Farm Bioquím S Paulo, v.5, n.l, p.141-159,1967.
CHIEFFI, P.P., DIAS, R.M.D.S., MANGINI, A.C.S., et al. Capilaria hepatica (BANCROFT, 1893), em murídeos capturados no município de São Paulo, SP, Brasil. Rev Inst Med Trop São Paulo, v.23, n.4, p.143-146,1981.
CHOE, G., LEE, H.S., SEO, J.K., et al. Hepatic capiliariasis: first case report in the republic of Korea. Am J Trop Med Hyg, v.48, n.5, p.610-625,1993.
CROSS, J.H. Capiliariosis. In: PALMER, S.R., SOULSBY, L., SIMPSON, I.H. Zoonoses. Oxford: University, 1998.Cap.57, p.773-781.
FREEMAN, R.S., WRIGHT, K.A. Factors concemed with the epizootiology of Capiliaria hepatica (BANCROFT, 1893) (NEMATODA) in a population of Peromyscus maniculatus in Algonquin Park, Canada. J Parasitology, v.46, p.373-382, 1960.
MANDORINO, I., REBOUÇAS, M.M. Hepatic capiliariasis in caititu (Tayassu tajacu). Arq Inst Biol São Paulo, v.58, n.1/2, p.61-62, 1991.
Manual de Controle de Roedores (2002) fundação nacional de saúde (funasa) Brasília, dezembro de 2002. p. 11-22.
SANTOS, M.N., BARROS, C.S.L. Capilaria hepatica, parasitismo do cão e gato no Estado do Rio Grande do Sul. Ver Med Vet, São Paulo, v.9, n.2, p. 133-140, 1973.
VIANNA, Y.L. Sobre um caso de capilariose hepática em canino do Rio de Janeiro. Veterinária, v.7, n.2, p.8-20, 1954.
Este assunto é muito importante!!!
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